Angela Natel On segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017 At 05:57
Por Hermes C. Fernandes
Karl Marx, o idealizador do comunismo, sugeriu que a história deveria ser entendida sob o prisma da luta entre classes. Desde os primórdios da civilização sempre houve conflito entre etnias, religiões, cosmovisões diferentes e classes sociais. Os que vencem consideram-se superiores aos vencidos, e, portanto, no direito de dominá-los. Parece-me que Marx foi preciso em seu diagnóstico, todavia, não sei se poderia dizer o mesmo acerca do remédio prescrito por alguns dos seus mais aguerridos seguidores, dado seus conhecidos e indesejáveis efeitos colaterais.
De onde provem a hierarquização social? Seria o plano original do Criador que os homens se arrogassem o direito de exercer domínio sobre outros? Apesar de parecer-me óbvio que nada ocorre sem a sua devida chancela, atrevo-me a crer que isso não constava do plano original de Deus.
O relato inicial de Gênesis dá conta de que “criou Deus o homem à sua imagem (...) homem e mulher os criou” (Gn.1:27). Não há qualquer indício de que houvesse alguma hierarquia entre eles. Ambos foram criados à imagem e semelhança de Deus.
No segundo relato, lemos que, depois de dar nome aos bichos, o homem sentiu-se só, pois não encontrara alguém que lhe fosse compatível. “Então o SENHOR Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas, e cerrou a carne em seu lugar; e da costela que o SENHOR Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adão” (Gn. 2:20-25). Mais uma vez não encontramos menção à posição do homem como superior à mulher.
Ao encontrar-se com sua companheira pela primeira vez, Adão disse: “Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada. Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne. E ambos estavam nus, o homem e a sua mulher; e não se envergonhavam”(Gn. 2:20-25).
A expressão “carne da minha carne” pode indicar a malha social que começava a ser tecida. Cada novo membro da família humana deveria ser um novo ponto desta tecelagem. Já a expressão “osso dos meus ossos” pode apontar para a estrutura por trás desta malha, dando-lhe sustentação. Sem os ossos, o corpo se dissolveria. Assim também, sem um esqueleto social formado de instituições fortes, a sociedade se dissolve. A primeira destas instituições é, sem dúvida, a família. Não fosse a queda, talvez esta fosse a única. Porém, a queda produziu novas demandas, dentre elas, a de um governo.
Homem e mulher deveriam ser parceiros, os tecelões da sociedade. Porém, a queda interferiu na harmonia original, produzindo conflito de interesses. O pronome “nós” foi substituído pelo “eu” e “ele”. O “serão ambos uma só carne” deu lugar ao “cada um por si”.
Tão logo foi tentada pela serpente intrusa, a mulher estendeu a mão em direção à árvore vetada por Deus, “tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela” (Gn. 3:6).
Repare na ordem dos fatos: ela primeiro toma para si e come, só então oferece ao seu marido. Primeiro, eu. Depois, você. Este gesto prenunciou a queda. Foi o salto que os lançou despenhadeiro a baixo. Eva usurpou a primazia ao servir-se a si mesma.
O evento chamado pelos teólogos de Queda não apenas alienou a humanidade de Deus, mas também comprometeu seriamente as relações sociais. Ora, quando um osso se fratura, faz-se necessário o uso de uma tala até que ele seja regenerado. O que deveria sustentar o corpo, agora tem que ser sustentado por um elemento estranho ao corpo. Às vezes, tem-se que usar muletas para evitar que o corpo se apoie sobre a perna fraturada.
Somente a partir da Queda, Deus estabelece uma hierarquia entre homem e mulher, que serviria de base para toda estrutura hierárquica que viria depois.
Observe a sentença proferida por Deus:
“E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará.” Gênesis 3:16
A relação antes harmoniosa agora precisaria ser engessada até que se recuperasse plenamente.
Milênios se passaram desde então, quando a Cura chegou ao mundo dos homens. Todavia, Jesus teria que inserir-Se no meio do conflito a fim de hastear a bandeira da paz.
Tempos atrás sofri uma queda do púlpito da igreja. Ao descer dele para atender a alguém que solicitava minha atenção, apoiei-me num pedestal, pisei em falso e caí. Levado para o hospital, soube que precisaria imobilizar meu pé direito com uma bota ortopédica e que, depois de alguns dias de “perna pro ar”, talvez necessitasse de fisioterapia. Já se passaram dois meses e meu pé ainda dói. Caminho normalmente, porém, às vezes, quando ele incha, volto a mancar. O médico já me advertira que a recuperação seria lenta.
Enquanto meu pé estava imobilizado, tinha que saltar apoiando-me no pé esquerdo, como se fosse um saci-pererê. Resultado: o pé esquerdo começou a doer mais do que o direito. Todo o peso do corpo agora era apoiado nele, sobrecarregando-o.
Depois da Queda do homem, Deus atou-o com a tala da Lei moral e engessou-o com a Lei cerimonial. Cristo veio e removeu o gesso. Todavia, ainda nos resta um tempo para que recobremos o vigor original de nossas relações. A igreja seria, por assim dizer, a fisioterapeuta do mundo. Por isso, o Novo Testamento corrobora com a ideia de que a relação conjugal deve ser encabeçada pelo homem:
“Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor; porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo. De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seus maridos. Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela.” Efésios 5:22-25
A ferida desinflamou, mas não cicatrizou ainda. O gesso e a tala foram removidos, mas o paciente não consegue pisar firmemente. Ele ainda manca. Por isso, um dos pés terá que ser sobrecarregado por mais um tempo. Todavia, Cristo Se oferece como um novo modelo de primazia para o homem. Em vez de simplesmente dominá-la, o homem deve amá-la e se entregar por sua mulher, assim como Cristo amou a Sua igreja, entregando-Se por ela. O que seria mais difícil, sujeitar-se a outrem ou entregar-se para morrer por ele? Ademais, sujeitar-se ao outro não é prerrogativa somente da mulher. No verso anterior, Paulo diz que devemos todos sujeitar-nos “uns aos outros no temor de Deus” (Ef.5:21).
Em Cristo, o conflito entre classes termina. Quem antes se arrogava o direito de dominar os demais, agora é desafiado a apascentar o rebanho de Deus, “não por força, mas espontaneamente segundo a vontade de Deus; nem por torpe ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores sobre os que vos foram confiados, mas servindo de exemplo ao rebanho” (1 Pe.5:2-3). Por isso que Paulo, apesar da autoridade que tinha, não se estribava nela, mas apelava à consciência das pessoas. Escrevendo a Filemon, ele diz: “Ainda que tenha em Cristo grande confiança para te mandar o que te convém, todavia peço-te antes por amor” (Filemom 1:8-9).
Em Cristo, “não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem nem mulher” (Gl.3:28). A igreja é, por assim dizer, um ensaio de como as relações sociais se darão na sociedade definitiva, quando Cristo “houver destruído todo domínio, e toda autoridade e todo poder” (1 Co.15:24), e Deus for “tudo em todos” (v.28).
A proposta do reino não é hierarquização, mas sujeição mútua em amor. Assim como os ossos devem suportar o peso dos demais alternadamente, dependendo da posição em que o corpo estiver, assim devemos suportar uns aos outros em amor (Cl.3:13). Suportar aqui não tem o significado de tolerar mas de ser suporte, isto é, aquilo que dá sustentação.
Para tal, devemos estar dispostos a servir uns aos outros, dando-lhes sempre primazia. Não se trata de ser seletivo, de escolher a quem se deve servir, mas de servir igualmente a todos. Não se deve usar a liberdade concedida pela graça como pretexto para uma vida autocentrada. Servir ao outro é bem diferente de servir-se do outro. Considere o que Paulo diz sobre isso:
“Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor.” Gálatas 5:13
Para o apóstolo, o cristão carnal é aquele que se nega a sujeitar-se aos demais , servindo-os em amor. Ele mesmo admite que “sendo livre para com todos”, fez-se “servo de todos para ganhar ainda mais” (1 Co.9:19). Da perspectiva do mundo, quanto mais a gente se impõe aos demais, mais ganhamos. Porém, o evangelho subverte esta ordem, de sorte que, quanto mais servimos, tanto mais ganhamos.
Há, porém, uma diferença entre a submissão cega e a submissão consciente. Na clássica passagem em que fala das autoridades estabelecidas por Deus, Paulo diz que não devemos submeter-nos meramente por medo de eventuais sanções, mas por consciência (Rm.13:5). Submissão cega não passa de subserviência, e, esta, por sua vez, ora é motivada por medo, ora por interesse. Já a submissão requerida pelo evangelho é motivada exclusivamente por amor.
E será este mesmo amor que nos fará preferir-nos “em honra uns aos outros” (Rm.12:10). Se alguém tiver que ser honrado, que seja o outro, não nós. Em vez de enciumados, sentimo-nos realizados diante da honra recebida pelo nosso irmão, afinal de contas, somos membros uns dos outros, como nos ensinam as epístolas paulinas. Na mesma passagem em que fala da sujeição mútua entre os cristãos, Paulo diz que além de membros do corpo de Cristo, também somos membros “da sua carne, e dos seus ossos” (Ef.5:30). O que deve nos unir não são apenas nossas ações (carne), mas também nossas motivações (ossos). Para Deus, o que não se vê é ainda mais importante do que o que se vê.
O que nos conecta uns aos outros não são os papéis sociais que desempenhamos, e sim nosso DNA espiritual. Somos todos “imagem e semelhança” de Deus.
É claro que somos diferentes. Temos papéis distintos. Porém, iguais em dignidade. Mesmo “os membros do corpo que parecem ser os mais fracos são necessários; e os que reputamos serem menos honrosos no corpo, a esses honramos muito mais; e aos que em nós são menos decorosos damos muito mais honra. Porque os que em nós são mais nobres não têm necessidade disso, mas Deus assim formou o corpo, dando muito mais honra ao que tinha falta dela” (1 Co.12:22-26). É desta maneira o tecido social é devidamente calibrado. Os mais fracos devem ser os mais honrados. Já os “nobres” dispensam tais honrarias. É como alguém que tem uma perna mais curta que a outra. A perna normal não precisa de um sapato com salto maior, mas a menor sim.
Ainda mais importante que a honra concedida a uns em detrimento de outros é o cuidado recíproco. Paulo insiste em que os membros devem ter “igual cuidado uns dos outros. De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele” (1 Co.12:22-26). Todo cuidado é uma expressão de amor. Só cuida quem se importa, e só se importa com quem se ama. Assim, se alguém for honrado em nosso lugar, sentiremos como se nós mesmos fôssemos honrados. E se alguém estiver sofrendo, nos solidarizaremos com a sua dor.
Honrar é dar a primazia ao outro, ceder a vez, estimar o interesse alheio superior aos nossos. Isso é ter “os mesmos sentimentos que houve em Cristo Jesus”. É atender à admoestação apostólica de que “cada um considere os outros superiores a si mesmo”, não atentando “cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros” (Fp.2:3-4). É fácil? Certamente que não. Mas é o que o evangelho demanda de nós. Os últimos terão que ser os primeiros. E para tal, os primeiros terão que ser os últimos.
Será assim que subverteremos a ordem vigente no mundo desde a Queda de nossos primeiros ancestrais. Mesmo antes de vendê-lo por trinta moedas de prata, traindo assim o Seu mestre, Judas traiu a proposta do reino de Deus.
Os discípulos já haviam sido advertidos de que dentre eles havia um traidor. Todos queriam um sinal que o identificasse. Engana-se quem imagina que o traidor fora reconhecido por um beijo. O beijo identificou o traído, não o traidor.
Dois sinais identificariam quem O trairia:
“O que põe comigo a mão no prato, esse me há de trair.” Mateus 26:23
“O que come o pão comigo, levantou contra mim o seu calcanhar.” João 13:18
Ambos os sinais seriam vistos na mesma ocasião, a saber, na última ceia de Jesus com Seus discípulos. E o que eles revelam?
Meter a mão no prato é servir-se a si mesmo, fazendo exatamente o que Eva fez no paraíso. Enquanto Jesus partia o pão e servia aos demais, Judas servia a si mesmo. Partir o pão era tarefa do servo, não de quem estava sentado à cabeceira da mesa em posição de honra.
Nesta mesma ocasião, os discípulos discutiam quem deveria ser o maior entre eles. Jesus aproveitou a oportunidade para dar-lhes uma lição que jamais se esqueceriam:
“E ele lhes disse: Os reis dos gentios dominam sobre eles, e os que têm autoridade sobre eles são chamados benfeitores. Mas não sereis vós assim; antes o maior entre vós seja como o menor; e quem governa como quem serve. Pois qual é maior: quem está à mesa, ou quem serve? Porventura não é quem está à mesa? Eu, porém, entre vós sou como aquele que serve.” Lucas 22:21-27
Só deve ser honrado quem não faz a menor questão da honra, e sim, de ser vir. É desta maneira que Deus subverte a ordem. O maior deve ser o menor.
Jesus não limitou-se a dar-lhes um sermão. Mesmo sabendo que “já era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai”, Ele insistiu em amá-los até o fim. Acabada a ceia, Jesus levantou-se, “tirou as vestes, e, tomando uma toalha, cingiu-se. Depois deitou água numa bacia, e começou a lavar os pés aos discípulos, e a enxugar com a toalha com que estava cingido” (João 13:1-5). Há um detalhe aqui que precisamos focar. Quando o primeiro casal rebelou-se contra Deus, a primeira percepção que tiveram foi que estavam nus. Dentro do simbolismo bíblico, nudez representa desonra, uma metáfora que aponta para a exposição de nossa fragilidade. Eles, imediatamente, trataram de coser folhas de figueira para cobrir sua vergonha. Jesus toma a direção oposta. Ele Se expõe perante o olhar censor dos Seus discípulos. Sua genitália é coberta pela toalha, porém, cada vez que enxuga os pés dos Seus discípulos, fica exposta. Porém, Ele parece não se importar. Ademais, horas depois Ele seria crucificado totalmente nu, exposto a toda população de Jerusalém.
Quem teria maior autoridade do que Ele? O texto faz questão de frisar que Ele sabia “que o Pai tinha depositado nas suas mãos todas as coisas”. Mesmo assim, sem o menor recato, sem falsos escrúpulos, Ele se desnuda e lava os pés dos Seus discípulos como se fosse um mero serviçal.
Tal atitude me remete ao episódio em que Davi encabeçava a procissão que trazia de volta a Arca da Aliança a Jerusalém. Inadvertidamente, o rei dançava com tanta alegria, que suas partes íntimas ficavam despudoradamente expostas, provocando o ciúme de Mical, sua esposa, que assistia de sua janela. Ao chegar em casa, Davi foi duramente criticado:
“Quão honrado foi o rei de Israel, descobrindo-se hoje aos olhos das servas de seus servos, como sem pudor se descobre um qualquer.” 2 Samuel 6:20b
Pelo que ele respondeu:
“Perante o Senhor me tenho alegrado. Ainda mais do que isso me rebaixarei e me humilharei aos meus olhos. Quanto às servas, de quem falaste, delas serei honrado.” vv 21b-22
Só Deus pode avaliar a motivação de alguém. Para Mical, Davi estava se desgastando ante os olhos das suas servas. Porém, quanto mais se humilhava, expondo-se em sua alegria saltitante e ingênua, mais honrado era por todo o seu povo.
Enquanto lavava os pés dos seus discípulos, dois deles tiveram comportamento totalmente inverso. Pedro sentiu-se constrangido e tentou dissuadir Jesus de prosseguir. Ao chegar a vez de Judas, este levantou o calcanhar para Jesus, como quem quisesse dizer: Se é para lavar, trate de lavar direitinho (Jo.13:18).
Se o primeiro sinal do traidor foi servir a si mesmo, o segundo sinal foi abusar do serviço do outro. Ambas são posturas que contrariam o espírito do evangelho e a causa do reino de Deus. Devemos, antes, deixar-nos constranger pela disposição demonstrada por outros em nos servir, e, jamais abusar do seu amor.
Ao terminar o serviço, Jesus deve ter-lhes fitado os olhos quando disse: “Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. Na verdade, na verdade vos digo que não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou. Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes” (João 13:14-18). Saber nunca foi o suficiente. Saber, incha. Mas o amor, edifica (1 Co.8:1). Portanto, devemos despir-nos de nossa vaidade e servir àqueles a quem o Senhor confiou aos nossos cuidados, honrando-os, amando-os até o fim.

Fonte: https://www.facebook.com/hermes.c.fernandes/posts/10211051480578844
Angela Natel On segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017 At 10:02
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Angela Natel On quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017 At 02:04

Preguei na minha igreja, domingo passado, sobre a teologia da conversão. Na introdução da mensagem, declarei o motivo que me levava a falar sobre o tema. Membros das mais diferentes igrejas estão emitindo sinais de que não são cristãos.
Mencionei como sinal de falsa conversão o comportamento de evangélicos nas redes sociais. O que me chama atenção?
Primeiro, a rispidez, a estupidez, a truculência, o escárnio. Um amargor incompatível com o espírito do evangelho. Sei que esse é um fenômeno universal. Atinge homens e mulheres de todos os credos e preferências ideológicas. Todos reclamam. Contudo, o cristão declara ter sido tornado nova criatura através do encontro com Cristo. Há, portanto, uma identidade singular a ser revelada, que envolve, entre outras coisas, a presença de um autêntico espírito de mansidão -aquela doçura que percebemos quando estamos do outro lado do mundo e encontramos um cristão genuíno.
Em segundo lugar, os valores que são professados. O que eles estão defendendo. Seus pontos de vista sobre determinados temas revela profunda falta de conhecimento das Escrituras. Repetem o que incrédulos empedernidos estão ensinando. Exaltam comportamentos que a Bíblia tem como pecaminosos. Outro dia, ouvi um pastor declarar que o Brasil precisa de mais "Carandirus".
Há muito o que falar sobre o que as redes sociais estão revelando sobre o estado espiritual da igreja: a incapacidade de pensar duplo, a tendência a elevar um lado da verdade à condição de verdade completa, a mentalidade de gueto, a falta de leitura de bons livros, o preconceito, a identidade pessoal que para ser formada precisa de um inimigo a ser combatido, a fúria profética daqueles que pensam que o suposto compromisso com a verdade lhes dá o direito de serem boçais.
Acima de tudo, contudo, está a qualidade da pregação, o rebaixamento das condições para que uma pessoa se torne membro de uma igreja evangélica, o exemplo dos próprios pregadores.


por Antonio Carlos Costa

fonte: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=420969368239919&set=a.108198962850296.1073741828.100009805770419&type=3&theater

Angela Natel On quarta-feira, 28 de dezembro de 2016 At 05:25
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Angela Natel On quinta-feira, 22 de dezembro de 2016 At 04:04
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Angela Natel On quarta-feira, 21 de dezembro de 2016 At 05:42
Há algo perturbador no relato de natal feito por Mateus. Talvez muitos não tenham se detido ali, pois afinal, o nascimento de Jesus é de tal grandeza que acaba por ofuscar qualquer outro acontecimento periférico. Porém, trata-se de um genocídio perpetrado por um monarca furioso que se vê ameaçado pelo nascimento de uma criança.
Geralmente, consideramos Estêvão o primeiro mártir da fé cristã. Porém, muito antes de ele ser apedrejado, milhares de crianças de apenas dois anos para baixo, tiveram suas vidas ceifadas sem ao menos saberem pelo que morriam. Essas, sem dúvidas, poderiam ser consideradas os primeiros mártires da fé. Se eu fosse católico, sugeriria que o Papa promovesse a primeira canonização coletiva e anônima. Assim como há monumentos dedicados aos soldados anônimos que morreram por sua pátria, deveria haver algum monumento àquelas inocentes crianças.
Por que Deus não evitou aquilo? Por que não enviou anjos para avisar a todos os pais a fim de que fugissem para o Egito, como fizeram José e Maria?
Deveríamos considerar aquela matança como ‘efeito colateral’ indesejável?
Seria apenas para cumprir uma agenda profética, conforme lemos em Mateus 2:16-18?
“Então se cumpriu o que foi dito pelo profeta Jeremias, que diz: Em Ramá se ouviu uma voz, Lamentação, choro e grande pranto: Raquel chorando os seus filhos, E não querendo ser consolada, porque já não existem.”
Enquanto Maria e José viajavam incólumes pelo deserto, milhares de mulheres choravam em alta voz enchendo as ruas de um lamento jamais ouvido.
O que aquelas crianças fizeram para ter tal destino?
Durante a celebração natalina, muitos sofrem a ausência de familiares queridos. Aqui mesmo em casa, sentimos imensa saudade de minha sogra, falecida às vésperas do natal de 2009.
Fiquei sobremodo sensibilizado ao ler agora a pouco, no mural do facebook de um pastor amigo um triste depoimento em que confessa que antes ele era 100%, mas que agora, após a partida de sua filhinha, ele era apenas 75%. Não consigo mensurar a dor do coração daquele pai. Ao ler isso, tive vontade de abraçá-lo e oferecer meus ombros como altar em que pudesse derramar suas lágrimas.
Por que perdemos pessoas queridas? Nada mais antinatural do que um pai enterrar o próprio filho. Se Deus sabe o quanto dói, por que permite que aconteça?
Como celebrar o natal com a mesma alegria de antes se a pessoa a quem tanto amamos nos deixou?
Por isso, muitos preferem não celebrar o natal. Preferem dormir mais cedo. Recusam convites, enclausurando-se em seu mundo melancólico.
Não me atrevo a oferecer uma resposta simples diante de tanta dor. Entretanto, gostaria de sugerir uma reflexão que, queira Deus, traga algum consolo.
De acordo com o relato de Lucas, enquanto Jesus percorria a via-crucis, algo inusitado aconteceu:
“E seguia-o grande multidão de povo e de mulheres, as quais batiam nos peitos, e o lamentavam. Jesus, porém, voltando-se para elas, disse: Filhas de Jerusalém, não choreis por mim; chorai antes por vós mesmas, e por vossos filhos. Porque eis que hão de vir dias em que dirão: Bem-aventuradas as estéreis, e os ventres que não geraram, e os peitos que não amamentaram!” Lucas 23:27-29
Pouco antes deste fatídico episódio, Jesus já havia alertado aos Seus contemporâneos que aquela geração estava destinada a ser receptáculo do juízo divino. Agora, mesmo trazendo nas costas uma pesada cruz, Ele interrompe a caminhada para dizer àquelas mulheres que choravam por Ele: Não é por mim que vocês deveriam estar chorando, mas por vocês mesmos e por seus filhos.
Há choros que nos poupam de outros choros. Aquelas crianças, cujas vidas foram tão precocemente ceifadas por ocasião do nascimento de Jesus, foram poupadas da triste sina que aguardava Jerusalém ainda naquela geração. Uma tragédia as poupou de outra muito maior.
Maria, por exemplo, foi poupada de ter seu filho morto em seus braços pela espada de Herodes, mas assistiu à Sua execução na cruz. Já lhe havia sido profetizado que uma espada lhe penetraria o coração, e isso se deu ao ver seu filho ser fincado no madeiro.
De uma coisa podemos estar certos, aqueles que nos foram tirados estão em situação infinitamente melhor do que nós. E só Deus sabe de que teriam sido poupados, e de que nós mesmos teríamos sido poupados com a sua partida precoce.
À luz disso, não deixemos de celebrar o natal, mesmo que isso nos traga à lembrança da dor da perda. Foi por Jesus ter sido poupado da espada de Herodes que Ele pôde cumprir toda a justiça de Deus e por fim, dar Sua vida pela redenção da criação.
Graças a isso, um dia reencontraremos todos os que nos deixaram e juntos celebraremos uma festa que ofuscará qualquer celebração natalina.
Feliz Natal à todos, mesmo os que não veem motivo para celebrar.

fonte: https://www.facebook.com/hermes.c.fernandes/posts/10210473584451802
Angela Natel On terça-feira, 20 de dezembro de 2016 At 04:52
Hermes C. Fernandes: Porque fiz as pazes com o Papai Noel: Por Hermes C. Fernandes Acabo de chegar de uma cantata numa igreja hispana em Deltona, Florida. Devo admitir que aprecio muito a at...
Angela Natel On domingo, 11 de dezembro de 2016 At 02:23
Hermes C. Fernandes: Fui convencido a rever meus conceitos...: Por Hermes C. Fernandes Irmãos, peço humildemente que orem por mim. Preciso confessar algo. De uns anos para cá, comecei a ler...
Angela Natel On sexta-feira, 9 de dezembro de 2016 At 03:22
Domingo passado – ‘dia do descanso’ – descansei a tarde toda na casa de vizinhos saboreando um delicioso churrasco, entretanto, não tão delicioso quanto a oportunidade de estar na companhia de todos eles. É uma “bênção” poder ver a vida. Ouvir as opiniões. Sentir a alma do ser-humano. Observar o quão animais somos e o quanto de divino todos temos.
Uma coisa chamou muito a minha atenção. Numa animada conversa com um dos amigos ele me dizia que eu não parecia crente, uma vez que o meu “jeito” de ser e de viver não compactuava com o que ele entendia sobre os evangélicos. O mais curioso é que esta conclusão dele foi embasada num texto deste blog, o qual fala sobre as “PERDAS E DANOS” que a existência promove. Minha esposa deu uma resposta óbvia, mas que me fugia dos lábios; disse ela: “Somos cristãos, mas não somos religiosos”. Brilhante, pensei.
Deus não pertence às religiões. Deus não pertence a nada nem a ninguém. No máximo as coisas e as pessoas é que a Deus pertencem. Não há qualquer religião ou teologia que tenha compreendido o incompreensível, ou seja, aquilo que chamamos de Deus. A revelação não está completa. As religiões são construções humanas e, por isso, limitadíssimas. Deus não cabe nelas, apesar delas se auto-intitularem representantes Dele.
Posto que as religiões sejam instituições construídas por homens, são cheias de erros e injustiças. Religiões promovem intolerâncias, guerras, preconceitos e todas estas coisas que não são pertencentes a Deus, mas pertencentes aos homens.
Quando alguém diz que religião não é uma coisa boa, basicamente está assumindo que a humanidade não é uma coisa boa, já que as mazelas da humanidade estão presentes em todas as instituições humanas, inclusive nas religiões, posto serem estas construções humanas.
Entretanto, uma vez que as religiões arvoram-se por representantes de Deus na terra (apesar de não terem recebido nenhuma procuração formal que as assegure este direito) alguns inclusive, desejosos de protestar contra as mazelas promovidas pelo homem por meio da religião, acabam posicionando-se como ateus, ou seja, confundem Deus com religião (coisas distintas).
Para protestar contra as religiões, não preciso ser ateu. Jesus – que não fundou o cristianismo – discursou duramente contra a religião e foi morto não pelos romanos, mas pelos religiosos, “homens do templo”. Muitos, por não tolerarem as guerras que o cristianismo promoveu, posicionam-se como ateus, pensando que Deus é religião… Uma confusão!
Na época de Jesus as pessoas mais religiosas recebiam o título de fariseus. Era um rótulo que dava orgulho a muitos judeus. Seriam os muçulmanos xiitas de hoje. Seriam os católicos carolas. Seriam também os “crentes radicais”, partidários da teologia do “nada pode”, com um discurso tão paradoxal que dá até a impressão que foi o diabo quem criou o mundo, e não Deus.
A estes fariseus, super-religiosos, que davam o dízimo de tudo, que faziam várias orações diariamente, que dirigiam o louvor na igreja, que perdiam qualquer reunião social para participarem de uma reunião na igreja e que, sobretudo, julgavam e mediam todas as pessoas, a estes Jesus chamou de HIPÓCRITAS.
Sim, religião e hipocrisia caminham juntas já há muitas eras.
A palavra hipócrita vem do grego e pertence ao vocabulário das artes cênicas. Significa artista, ator, mascarado, duas caras, fingimento, aquele que está atuando, aquele que parece, mas, no fundo no fundo, não é. Assim é o super-religioso. Ele apenas parece. E por parecer e não ser, não faz o que deveria fazer, mas deixa de fazer o que esperado seria. Preocupado com a aparência, não com o conteúdo. Um discurso dissonante da práxis. Uma pantomima sacra. Um sepulcro bem caiado.
Jesus disse: “Fujam dos religiosos fariseus, pois são mascarados, hipócritas!”
Hoje ele continuaria com o mesmo discurso: Fujam dos que dizem serem meus representantes, mas que as suas práticas não condizem com o meu discurso. Fujam dos religiosos hipócritas. Fujam dos super-homens. Fujam dos super-crentes. Acautelem-se dos hipócritas. Cuidado com os que impõem sobre outros, cargas que eles mesmos não conseguem carregar. Igualmente fujam dos que criticam os religiosos, contudo, sem possuírem uma ética consistente. Hipócritas!
A Bíblia e Jesus nos ensinam que o homem é pecador. Portanto, eu sou uma pessoa cheia de erros. Você não está fora desta. O Papa não está fora desta. Chico Xavier não está fora desta. Ora, se eu não sou perfeito, quem sou eu para julgar?
Qualquer que julga está sendo hipócrita, posto ninguém ser perfeito.
Disse Jesus: “Não julguem para não serem julgados, pois com a mesma medida com que você julgar, você será julgado”.
Tenho visto tantos religiosos julgando pessoas…
Tenho visto tantos não-religiosos julgando pessoas…
Tenho visto tantos supostos ateus julgando religiosos…
Todos iguais, todos humanos, todos carentes de aprenderem com Cristo a terem um coração humilde, perdoador, não arrogante, não vaidoso, não orgulhoso, não religioso.
Minha luta é não ser um religioso, apesar de ser um pastor. Paradoxal?
Meu esforço é ser um seguidor de Jesus de Nazaré, assumindo publicamente minhas mazelas, sem ser um religioso hipócrita, que finge ser perfeito e a todos julga.
Meu objetivo é conseguir comprometer-me com o discipulado de Cristo, mas não com o discipulado da instituição igreja.
Não sei se conseguirei este meu intento. Quer tentar junto comigo?
Meu amigo apresentado a você no início deste texto também me disse em meio a gargalhadas que se eu continuar neste propósito serei excomungado da igreja. Eu ri demais! Como me divirto! Não sei se comigo ou se com ele. De fato, religiões não costumam ver com bons olhos pessoas não-religiosas.
Meu desejo é que eu e você sejamos pessoas comprometidas com os doces e sábios ensinamentos de Cristo, que promovem a paz de espírito nesta vida e a eterna para depois desta. Com relação à religião… Que não confiemos em nenhuma delas, pois “maldito o homem que confia no homem”.
E como diz um desbotado clichê apregoado por muitos pregadores: “A igreja não salva, quem salva é Cristo”.
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Hora da despressurização mental!

Poucos não se importam de perder uma discussão. O adágio popular nos ensina que em matérias mais passionais, como religião, política ou futebol, não deve haver discussão. Com estes dois filmes publicitários, não quero promover a venda de cerveja para você, claro, mas mostrar que até na publicidade todos preferem ter a “última palavra”.
O primeiro filme, da Heineken, foi aclamado e premiado por sua originalidade e produção impecável. Com muito bom humor o filme satiriza comportamentos do universo feminino e masculino.
O segundo filme, da Bavaria alemã, foi uma resposta. A agência de publicidade mostra como seria o “capítulo seguinte” da estória anterior, na visão da Bavaria, claro. Também bem-humorado e muito irônico, deixou o concorrente rindo para não chorar.


  

Liberdade de Expressão


É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se:
“é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença"(inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da"argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.